30 de set. de 2009

Carinho a distância

Por meio de site, mulheres criam acolchoados que aquecem e animam crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer, no projeto Love Quilts Brasil.

Texto Marilena Dêgelo. Fotos Toni Pires

Filho de um pedreiro e de uma dona de casa que moram no Grajaú, bairro pobre de São Paulo, o sonho de Eduardo Lopes dos Santos, 10 anos, é ser motorista de táxi. Por isso, ele escolheu o tema Meio de Transporte para ser bordado em seu acolchoado, feito pelo projeto Love Quilts Brasil. Em fase de manutenção no tratamento contra a leucemia, doença descoberta quando tinha 4 anos, o menino recebeu o presente em maio último na sede do Graacc – Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer, na capital paulista.“ É bem quentinho. Chegou na hora certa”, diz Eduardo, que, por seis meses, aguardou ansioso pelo mimo depois de sua mãe tê-lo inscrito em dezembro passado no projeto.
Júlia, 4 anos (na frente), e Beatriz, 7, acariciam o kit –
acolchoado e almofada – bordado com o tema Hello Kitty
É com inscrições duas vezes por ano que a mineira Ivani Vieira, coordenadora do Love Quilts Brasil, vai ampliando o número de beneficiados. Desde 2001, já foram doados 275 kits –um acolchoado e uma almofada – para crianças de todos os Estados do país em tratamento no Graacc. “A lista é grande e, para atender a todos rapidamente, dependemos de mais voluntárias”, diz Aracy de Barros Silveira, 53 anos, coordenadora do projeto em São Paulo.Dona de casa, ela já deu aula de bordado. “Após uma depressão, há quatro anos e meio, vi o site do Love Quilts, me ofereci para bordar e nunca mais parei. É gratificante”, afirma Aracy.
Atualmente, 178 voluntárias, por Ivani, que fez uma parte de um acolchoado para uma criança com câncer de lá. Entusiasmada, propôs ao Graacc criar o projeto aqui. Por meio do site que montou (www.lovequiltsbrasil.org), recebe o contato de mulheres interessadas em participar a distância. Elas compram o material e bordam o desenho de acordo com o tema escolhido pela criança, em um dos 20 blocos de 35x35 cm que formam o acolchoado de 2,20 x 1,80 m. Enviados pelo correio para as coordenadoras, os blocos são montados com a manta térmica e o barrado de 15 cm. A montagem é paga com dinheiro arrecadado em bazares e rifas. A dona de casa gaúcha Maria Stein, 41 anos, voluntária desde 2001, borda enquanto assiste à TV. “O mais gostoso é o momento da entrega. É muito bom ver a alegria das crianças”, diz ela.
Publicada na revista Casa e Jardim - Setembro de 2009
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Pitaco da blogueira: Parece mentira, mas precisa tão pouco pra fazer alguém feliz...